terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Windas encontra Ignus - Parte II


Aproximaram-se esbaforindo com um olhar maléfico de satisfação, três homens com uma indumentária distinta, parecendo de época passada. Um deles, posicionou-se a frente, tinha um olhar engessado, olhos pálidos como o mármore, mãos vis. Esse mesmo disse:
_Enfim, Windas, encontramos você e parece que sua amiga também ou ao menos aquela que soubemos que procurava!
_Virgínia, temos que sair daqui! – disse esgueirando-me defensivamente na névoa para perto dela. – Essas pessoas não são amigáveis, venha comigo, depressa! Eu lhe explicarei tudo depois.
_Claro, mas onde iremos? – indagou Virgínia, confusa.
_Ah, mas nem nos apresentamos ainda e já vão. Ainda não. – disse o homem assombroso, levantando uma de suas mãos bruscamente para cima de modo que o chão tremeu.
Nós balançamos e ficamos instáveis ao que eles vieram ao nosso encalço para nos capturar.
_Tenho uma ideia. – inflei meu pulmão o máximo possível e soprei uma ventania incalculável! Os homens não conseguiram se manter firmes e nem tentar algum truque a tempo, desequilibraram-se e caíram no chão. Eu logo fui envolvendo Virgínia com a água. – Não tenha medo, só vou nos tirar daqui, acha que pode atear fogo nesse lugar? – prossegui enquanto tal como controlando uma onda impelida pelo vento, nos elevava e retirava daquele local.
_Sim! – disse Virgínia em resposta, inflamando-se em chamas que incendiaram o gramado criando uma enorme barreira de fogo!
Com a ajuda dos ventos sob o meu comando, fugimos ouvindo o homem de longe reclamando:
_Ainda te encontraremos, Windas, e dessa vez não nos escaparão!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Windas encontra Ignus - parte I



Ela olhava de forma tétrica e concentrada para a candeia. A chama acendia e apagava, ora diminuía, ora inflamava. O objeto estava sobre o seu colo, repousando como um gato. Ela estava sentada em um banco barroco em uma praça recôndita da cidade, próximo a sua casa. Não havia ninguém por perto. Eu podia vê-la do alto da árvore araucária, entre pinheiros. Seus pés descansavam no gramado, mas seu interior estava inquieto. Então, eu resolvi descer e me aproximar. Suspirei e com vento oscilando em minhas costas como asas, inclinei-me alçando voo. Os seus olhos enegreceram, a chama se esvaiu e ela me avistou. Por algum motivo ela não se moveu, levantou-se, mas permaneceu onde estava me observando enquanto eu pousava. Não fui muito discreto, mas foi proposital, queria que ela me notasse como sou. Os meus olhos também negros, oscilando como ondas, por vezes cerúleos, por vezes anis. Minha barba pareciam escamas, eu sei.
_Olá! – eu, gentilmente, a saudei.
_Quem é você? – ela perguntou arredia.
_Meu nome é Álvaro, mas de onde venho também me chamam de Windas. – sorri.
Ela pareceu reticente, então eu disse:
_Eu sei que pareço estranho, desculpe a minha intromissão e indiscrição, mas eu a vi e não pude deixar de cumprimentá-la. Se me permitir, gostaria de falar mais sobre mim e acredito que de alguma forma também diga respeito a você.
_Como pode ser isso?
_Isso eu também não sei dizer, mas sei que é. Não tenha medo, só queria que soubesse que não é a única, embora sua habilidade, sem dúvida, seja singular. – disse me aproximando cortêsmente.
Virgínia baixou a cabeça, inclinou-se para o lado e soltou a candeia. Seu vestido tinha uma larga abertura nas costas pela qual pude ver sutilmente uma imagem se formando e pulsando como artérias formando a figura de um magnífico candelabro. Com os olhos voltados sutilmente para mim e sem pronunciar nenhuma palavra, vi enormes chamas lilás saindo de suas costas e pelo chão, então ela disse:
_Você não teme?
_De maneira alguma, é maravilhoso!
Então movi as pernas mais lentamente, meus sapatos ficaram no chão, porque da cintura para baixo tornei-me líquido como se minhas pernas fossem uma cauda transparente de água marinha, contornei até a direção dela como um peixe num lago e disse:
_Não posso controlar o fogo como você, mas vai ver é porque nascemos em datas diferentes, deve ter a ver com o horóscopo.
Nesse momento, Virgínia sorriu. Talvez por muito tempo ela não se sentisse tão feliz quanto naquele momento. Percebi que ela se sentiu acolhida. Ela respondeu:
_Pode ser. Muito prazer, eu me chamo Virgínia.
No instante em que íamos nos cumprimentar, um barulho de passos apressados amassando o gramado entre os arbustos. Alguém irascível falou:
_Eles estão ali!